Edina Bravo, Meu Recanto
Crônicas e Contos, para alimentar a alma
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Bonito, inteligente, charmoso, educado, quase analfabeto, mas envolvente, político e corrupto até a raíz dos cabelos, Paulo César não teve dificuldade em conquistar a inocente Anette, moça decente que havia sido criada para o casamento.
Com todas as qualidades de Paulo César (PC, para os colegas de roubo) ele ia conquistando o seu lugar ao sol. Num determinado momento da vida ele pensou em guardar todo o produto adquirido, mas não sabia onde poderia escondê-lo.
Depois de uma noite de insônia com esse tremendo problema, uma luz lhe veio à mente: a parede! Sim, guardaria o produto de suas falcatruas dentro da parede. A primeira providência seria mandar Anette visitar a mãe, na Alemanha, e dar férias aos empregados, já que não podia confiar seu plano a ninguém. Ele mesmo, devido à habilidde de pedreiro adquirida na sua juventude, quando era pobre, quebrou a parede, colocou as barras de ouro bem arrumadas, cobriu tudo novamente com cimento, pintou a parede e deu a obra por terminada. Anette passou duas semanas com os pais. Voltou, cheia de saudades e tiveram uma noite de amor ardente. No meio do ato ele sentiu um desconforto, um aperto no peito, virou pro lado e teve um enfarto fulminante. Anette correu, ligou pro médico, mas este só chegou para constatar o que ela já sabia. Ele estava morto. Anette chorou todas as lágrimas que tinha e, por fim, resolveu que iria vender a casa, uma vez que não podia suportar a ausência do homem amado. Um corretor foi chamado e, em menos de um mês, a casa passou para Juan Mirelles, um argentino que resolveu mudar-se para o Brasil. Anette foi embora para a Alemanha, viver junto aos pais. Os meses se passaram. O novo proprietário estava feliz da vida na casa nova até que uma infiltração ocorreu, em pleno domingo de carnaval. Onde vou conseguir um bombeiro no meio dessa festa? Ele mesmo respondeu: não vou, o jeito é eu mesmo dar um jeito. Vou quebrar essa parede pra fazer a água parar de pingar e depois da quarta-feira de cinzas em arranjo um cara pra fazer o conserto. Logo nas primeiras marteladas ele encontrou um qua-drado embrulhado num plástico. Ao abrir, e constatar o que era, se animou de continuar. Foi ficando louco com toda aquela fortuna que, agora, era sua. Da noite pro dia ele enriqueceu. Vou vender esse ouro todo e volto pra “mi Buenos Ayres, querido”. Você faria o quê?
Edina Bravo
Enviado por Edina Bravo em 23/05/2017
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